Consciência, organização e luta: esse é o caminho à classe trabalhadora.
Você
sabia que a origem do Dia do Trabalhador está ligada a um fato histórico
pouco lembrado pelo nome, mas fundamental para os direitos que temos hoje? A
Revolta de Haymarket, em 1886, simboliza a luta pela redução da jornada de
trabalho e a resistência diante da repressão. (Em julho de 1889, durante o Congresso da Segunda Internacional Socialista em Paris, ficou decidido que o 1º de maio seria um dia internacional de greves e manifestações para exigir a jornada de 8 horas e homenagear os Mártires de Chicago)
É dessa trajetória que nasce o 1º
de Maio como marco internacional da classe trabalhadora. Na tradição crítica,
Karl Marx, em Manifesto Comunista, afirma que “a história de todas as sociedades
até hoje é a história da luta de classes”. E, ao convocar os trabalhadores à
emancipação, deixa claro: “os proletários nada têm a perder a não ser suas
correntes”.
Seguindo essa perspectiva, Vladimir Lenin reforça o papel dos
sindicatos como instrumentos de organização, consciência política e
enfrentamento às desigualdades estruturais do sistema. Na realidade brasileira
atual, a classe trabalhadora muitas vezes luta apenas para manter direitos já
conquistados.
Ao mesmo tempo, a lógica do capital, por meio de ideologias e
“cortinas de fumaça”, tenta impor a ideia de que os próprios trabalhadores são
culpados pelas crises que enfrentam. Quando resistem, muitos são silenciados,
demitidos ou empurrados para o chamado “exército de reserva”, conceito
trabalhado por Karl Marx.
Vale ressaltar que, desde 1886, trabalhadores lutam
pela redução da jornada. E, em pleno século XXI, no Brasil, milhões ainda
enfrentam jornadas de 44 horas semanais, muitas vezes exaustivas.
É necessário
que a população pressione o Congresso Nacional por uma jornada mais humanizada,
como a proposta 5x2 (cinco dias de trabalho por dois de descanso) e a redução
para 40 horas semanais.
No entanto, não basta reduzir o tempo de trabalho: é
fundamental garantir uma remuneração digna e consistente, capaz de sustentar uma
vida com qualidade, saúde e bem-estar.
Diante desse cenário, torna-se urgente
que a classe trabalhadora compreenda os mecanismos que sustentam o sistema,
rompendo com os dogmas que a aprisionam.
A emancipação passa pela consciência,
pela organização e pela luta coletiva. Como afirma Ricardo Antunes: “Vivemos um
tempo de profundas metamorfoses no mundo do trabalho, onde a classe
trabalhadora, longe de desaparecer, se torna ainda mais diversa, fragmentada e
desafiada.” Seguimos sendo uma só classe: a classe trabalhadora.
Asarias Favacho: Sociólogo pela UFPA, pedagogo, especialista em Gestão Escolar e Docência do Ensino Superior, Mestre em Ciências da Educação pela Universidade de Évora (Portugal), professor, escritor e influenciador digital.
Referências:
Karl Marx; Friedrich Engels. Manifesto Comunista.
Vladimir Lenin. Sobre os
sindicatos, o momento atual e os erros de Trotsky (1920).
Ricardo Antunes. Os
sentidos do trabalho.
Registros históricos da Revolta de Haymarket.
